N° DE VISITAS

terça-feira, 5 de junho de 2012

A VOZ DOS PERTENCES


Sinto-me tão sozinha...
Milhões de coisas por fazer
Pelo quarto, pela casa e pela vida.
E milhões de vontades me escapam;
Quero curtir a solidão do meu jeito;
Isolada num canto inútil da cidade.
Há quem acredite que isso me fará grande mal.
Sem qualquer tipo de manifestação, calada permaneço,
Pois o meu silêncio confunde suas mentes cansadas.
Das coisas que são capazes de compreender,
Não se pode acrescentar nada tão complexo.
Pois bem, eu prefiro assim...
Quero receber todo o impacto da saudade
Com o peito aberto.
É uma ocasião onde não se difere o bom do ruim.
A dor da sua falta é terrível,
Mas o que posso fazer se o meu coração
Quer por perto tudo aquilo que atrai a sua lembrança?
Suas marcas, seu cheiro, sua voz,
As leves sensações do gosto, do sabor do amor...
Nada disso o satisfaz completamente,
Por mais que eu passe horas revivendo esse filme.
Caminho a procura do rumo das estrelas;
Paro por um instante e respiro o ar cândido
Quem vem do horizonte junto à tempestade.
Na volta para casa encontro-me num equilíbrio
Entre luzes, paredes e delírios.
Cai o mundo... Chove lá fora...
E o frio é maior aqui dentro,
Dentro de mim...
Na gaveta está o cobertor para o momento;
Envolvo-me em sua maciez, vou pra cama finalmente.
A noite escura e o acalanto do vento lançam-me 
Nas profundezas do sono.
Espalhados pelo quarto,
Estão os seus pertences esquecidos.
Dentre eles, agora repousa,
O mais solitário e carente de todos:
Eu...

Nenhum comentário:

Postar um comentário